Cobots na indústria: aplicações, setores que mais adotam e casos reais
Da manipulação de materiais à inspeção de qualidade, entenda o que os cobots fazem na prática, quais setores mais os utilizam e como empresas de diferentes portes já colhem resultados.
As aplicações de robôs industriais cresceram de forma expressiva nos últimos anos, e diferentes setores passaram a reconhecer o potencial da robótica e, principalmente, dos robôs colaborativos (cobots).
Mais compactos, mais baratos e muito mais simples de programar do que os robôs tradicionais, eles ampliaram o alcance da automação industrial para tarefas e empresas que antes ficavam de fora.
Neste artigo, você vai ver quais aplicações já estão consolidadas, quais setores lideram a adoção e como isso se traduz em ganhos de produtividade, segurança e qualidade.
Principais conclusões do artigo
- Cobots são robôs industriais de baixo custo que operam com segurança próximos a pessoas, sem a necessidade de gaiolas ou cercas, o que reduz drasticamente o espaço ocupado e o custo de implementação.
- As três grandes famílias de aplicação são manipulação de materiais, montagem e garantia da qualidade, e remoção de material, mas a lista completa inclui soldagem, dosagem, acabamento, alimentação de máquinas, embalagem e paletização.
- O setor elétrico/eletrônico é hoje o maior adotante de robôs industriais no mundo (24% das instalações), seguido de perto pelo automotivo (23%), uma inversão em relação a 2019, quando o automotivo liderava com folga.
- A facilidade de programação é o principal diferencial competitivo: operadores sem formação especializada conseguem configurar e reconfigurar um cobot, o que acelera a implementação e permite realocá-lo entre tarefas.
- Os ganhos aparecem em três frentes simultâneas: produtividade (operação contínua, sem perda de desempenho), segurança (menos exposição a tarefas monótonas, sujas e perigosas) e qualidade (repetibilidade absoluta, sem recalibração).
- A tecnologia não se restringe à manufatura pesada: há aplicações consolidadas em eletrônicos, alimentos, agricultura, farmacêutica, química e ambientes laboratoriais.
O que são cobots e como se diferenciam dos robôs industriais
Cobots são robôs industriais que podem operar com segurança próximos às pessoas. Eles são mais flexíveis do que os robôs industriais tradicionais, o que significa que podem ser aplicados nas mais diversas tarefas, da alimentação de máquinas e soldagem até embalagem e paletização.
A grande maioria das implementações está em ambientes fabris e industriais, mas a flexibilidade da tecnologia permite seu uso em setores variados, da agricultura à área médica e farmacêutica.
Os objetivos dessas máquinas são semelhantes em todos os setores e processos: produzir melhor. Os robôs conseguem aumentar a eficiência e a segurança de diversas indústrias ao assumirem tarefas monótonas, sujas e perigosas.
Outro diferencial decisivo é a simplicidade de operação. Como os robôs colaborativos são mais fáceis de programar do que os robôs industriais convencionais, eles podem ser configurados por profissionais sem formação especializada em programação na robótica, o que os torna a opção preferida quando a implementação precisa ser rápida.
Cobot ou robô industrial tradicional: principais diferenças
Os robôs industriais tradicionais costumam ser máquinas de grande porte, estáticas e difíceis de reprogramar ou reaproveitar em outras funções. Os cobots, por outro lado, são compactos e flexíveis, e podem operar lado a lado com as pessoas, sem gaiolas ou cercas de segurança.
Principais aplicações de cobots na indústria
Existem inúmeras aplicações de robôs colaborativos em todos os setores. Entre elas estão montagem, dosagem e aplicação de materiais, acabamento, alimentação de máquinas, manipulação de materiais, soldagem, remoção de material, inspeção de qualidade e muito mais.
A seguir, resumimos três grandes categorias de aplicação.
Manipulação de materiais e alimentação de máquinas
A manipulação de materiais é uma das funções mais perigosas da manufatura. Materiais como metal, plástico e outras substâncias podem representar um risco considerável para os trabalhadores. Além disso, muitas dessas tarefas são repetitivas, o que favorece o surgimento de lesões por esforço repetitivo (LER).
As indústrias que utilizam robôs na produção registram um número significativamente menor de acidentes de trabalho. Materiais pesados podem ser levantados e transportados pelo chão de fábrica com o uso de plataformas robóticas móveis. Já as tarefas de alimentação de máquinas, incluindo aquelas que envolvem máquinas CNC de alta capacidade, também estão ao alcance dos cobots da Universal Robots.
Montagem e garantia da qualidade
Os cobots da Universal Robots foram desenvolvidos especificamente para trabalhar ao lado dos funcionários e liberá-los de tarefas de montagem difíceis e desgastantes. Isso inclui a soldagem de peças pequenas, o aparafusamento e outras atividades semelhantes.
Os cobots também podem contribuir com a garantia da qualidade ao longo do processo produtivo. Diferentemente das pessoas, um cobot executa sempre a mesma tarefa da mesma maneira, sem se cansar nem perder desempenho. Ele pode, por exemplo, posicionar uma câmera exatamente no mesmo ponto para quantas medições e posições forem necessárias, em quantas peças forem necessárias, tudo isso sem recalibração óptica.
A Comprehensive Logistics, especialista norte-americana em manufatura sob contrato, utilizou um cobot UR10 equipado com sistema de visão em tarefas de inspeção de motores. O resultado foi um aumento de produtividade e uma melhora na qualidade do produto.
As tarefas de pick & place com cobots incluem adicionar peças a produtos em montagem, encher caixas com produtos acabados e empilhar paletes.
Remoção de material, dosagem e acabamento
Outras tarefas igualmente essenciais à produção também podem ficar a cargo dos cobots. A remoção de material por robôs, por exemplo, é necessária em qualquer processo que envolva o preenchimento de moldes. Esses robôs compactos conseguem avaliar a peça moldada e remover o excesso de metal ou plástico sem danificar o componente nem expor os trabalhadores a risco de lesão.
Cobots equipados com ferramentas de dosagem e aplicação podem ser usados para aplicar cola e outros adesivos, enquanto cobots com um kit de lixamento da plataforma UR+ conseguem polir peças até obter um acabamento uniforme e brilhante.
Cobots por setor: onde os robôs colaborativos já estão em operação
Veja como os cobots UR ajudam fabricantes de diferentes segmentos a resolver desafios específicos de produção.
Eletrônicos e tecnologia
Os cobots da Universal Robots são utilizados por fabricantes de iluminação, celulares, caixas de som, computadores e muito mais.
A neozelandesa Betacom, por exemplo, conta com cobots UR10 na produção de luminárias de LED para vias públicas. A fabricação desses equipamentos é fundamental para a segurança dos motoristas e exige alto nível de precisão. Com uma garra a vácuo de múltiplas ventosas, o UR10 retira uma placa de circuito de um rack e a posiciona sobre uma peça estampada de alumínio. Em seguida, o robô pega seis lentes de LED e as encaixa sobre a placa. Por fim, ele utiliza uma parafusadeira pneumática com alimentação automática de parafusos para fixar as lentes e a placa à peça de alumínio.
Alimentos e agricultura
A produção de alimentos e a atividade agrícola não param. Os robôs conseguem trabalhar 24 horas por dia, o que reduz o desperdício e encurta os tempos de produção em comparação ao trabalho exclusivamente humano. Além disso, os cobots operam em condições de calor ou frio extremos e em ambientes desconfortáveis. Por isso, cada vez mais empresas do setor de produção de alimentos recorrem aos cobots para complementar o trabalho das equipes.
É o caso da sueca Atria Scandinavia, que fabrica produtos gourmet e vegetarianos de alta qualidade voltados à praticidade. A Atria utiliza cobots UR5 para reduzir ao mínimo o tempo de parada em sua unidade de produção compacta. Depois da implementação, cada linha da empresa passou a preparar, em média, 228 itens por hora para expedição. "Os robôs UR são uma ótima solução de automação porque podem operar sem cercas de segurança. É uma vantagem significativa que nossos funcionários possam trabalhar bem ao lado dos robôs e ajustá-los com facilidade ao embalar diferentes tipos de produto", afirma Johnny Jansson, gerente técnico da Atria.
Farmacêutica e química
A produção de medicamentos, produtos químicos e equipamentos médicos exige precisão absoluta. Os cobots UR são usados com frequência para misturar, contar e dosar os mais diversos materiais.
O Hospital Universitário de Copenhague, na Dinamarca, utiliza cobots UR em seu laboratório para otimizar o manuseio e a triagem de amostras de sangue destinadas à análise. A solução permitiu que o laboratório mantivesse sua meta de entregar mais de 90% dos resultados em até 1 hora. Dois cobots UR5 conseguem analisar mais de 3.000 amostras por dia.
Automotivo
A produção de veículos envolve uma enorme variedade de processos, da montagem e alimentação de máquinas à inspeção e ao acabamento de peças. Todas essas tarefas, e muitas outras, podem ser executadas com sucesso por braços robóticos colaborativos.
Uma das fábricas de motores da Nissan no Japão enfrentava dificuldades para cumprir os prazos de produção, além de lidar com escassez de mão de obra e com o envelhecimento da força de trabalho. A empresa implantou duas linhas de braços robóticos UR10 para movimentar coletores pesados ao longo da produção. Também passou a usar cobots ao lado dos funcionários para instalar admissões de motor e afrouxar parafusos.
Quais setores mais utilizam robôs industriais?
Segundo o relatório World Robotics 2025, da Federação Internacional de Robótica (IFR), o setor elétrico/eletrônico é hoje o que mais adota robôs industriais, respondendo por 24% das instalações globais, seguido de perto pela indústria automotiva, com 23%. Em seguida, vem o setor de metal e maquinário (16%), plásticos e produtos químicos (5%) e alimentos e bebidas (4%).
Vale notar que a liderança alterna entre eletrônicos e automotivo há vários anos: em 2019, por exemplo, o automotivo respondia por 28% das instalações, contra 24% do elétrico/eletrônico.
Possibilidades ilimitadas para o uso de robôs colaborativos
Estas são apenas algumas das aplicações possíveis para os cobots. O futuro das indústrias de manufatura e produção certamente trará novas formas de aplicar sistemas de automação colaborativa. Não importa para onde sua empresa esteja caminhando: os cobots UR podem ajudar você a chegar lá.
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Perguntas frequentes sobre cobots
Qual é a diferença entre um cobot e um robô industrial tradicional?
A principal diferença está no tamanho, na flexibilidade e na convivência com pessoas. Robôs industriais tradicionais costumam ser máquinas de grande porte, estáticas e difíceis de reprogramar. Cobots são compactos, de baixo custo, podem ser realocados entre tarefas e foram projetados para operar com segurança ao lado dos trabalhadores.
Quais tarefas um cobot pode automatizar?
As aplicações mais comuns são manipulação de materiais, alimentação de máquinas, montagem, soldagem, dosagem e aplicação de adesivos, acabamento e lixamento, remoção de material, inspeção de qualidade, embalagem e paletização. Tarefas de pick & place, como encher caixas, montar peças e empilhar paletes, estão entre as mais frequentes.
Cobots podem trabalhar sem cercas de segurança?
Sim. Diferentemente dos robôs tradicionais, os cobots foram projetados para operar diretamente ao lado das pessoas, o que dispensa gaiolas e cercas em muitas aplicações e economiza espaço no chão de fábrica. A configuração final depende sempre de uma avaliação de riscos da aplicação específica.
É preciso ser programador para operar um cobot?
Não. A facilidade de programação é justamente um dos maiores diferenciais da tecnologia. Cobots podem ser configurados por profissionais sem formação especializada em robótica, o que reduz o tempo de implementação e permite que a própria equipe de produção reprograme o equipamento quando a linha muda.
Quais setores mais utilizam robôs industriais atualmente?
Segundo a Federação Internacional de Robótica (IFR), o setor elétrico/eletrônico lidera com 24% das instalações globais, seguido pelo automotivo (23%), metal e maquinário (16%), plásticos e produtos químicos (5%) e alimentos e bebidas (4%). Cobots, no entanto, também são aplicados em agricultura, farmacêutica, química e laboratórios.
Cobots substituem os trabalhadores?
A proposta é complementar o trabalho humano, não substituí-lo. Os cobots assumem tarefas monótonas, sujas e perigosas,que oferecem risco de lesão por esforço repetitivo e de acidentes, liberando as equipes para atividades que exigem julgamento, adaptação e resolução de problemas.
Cobots conseguem manter a qualidade em produções de alto volume?
Sim, e esse é um dos ganhos mais diretos. Um cobot executa sempre a mesma tarefa da mesma maneira, sem se cansar nem perder desempenho ao longo do turno. Em inspeção de qualidade, por exemplo, ele posiciona uma câmera exatamente no mesmo ponto em todas as peças, sem recalibração óptica.
Cobots funcionam em ambientes com temperaturas extremas?
Sim. Os cobots operam em condições de calor ou frio intensos e em ambientes desconfortáveis para as pessoas, o que explica a adoção crescente na produção de alimentos e na agricultura, onde a operação é contínua e as condições nem sempre são favoráveis ao trabalho manual prolongado.