A indústria mundial vem se adaptando a cada dia com novas tecnologias e demandas para melhorar as condições no local de trabalho e operações.
A indústria mundial vem se adaptando a cada dia com novas tecnologias e demandas para melhorar as condições no local de trabalho e operações.
No Brasil, além da NR-12, Norma Regulamentadora de Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, há também a NR-17, Norma Regulamentadora de Ergonomia.
Através da NR-17 temos as diretrizes sobre as possibilidades no chão de fábrica e as condições de operação no dia de trabalho.
Neste artigo, iremos explorar os benefícios do investimento em ergonomia na indústria como um todo. Continue lendo e fique por dentro!
Principais conclusões do artigo:
Ergonomia é o estudo da organização do ambiente de trabalho e das interações entre o homem e as máquinas ou equipamentos.
O objetivo dessa análise é trazer conforto ao trabalhador, prevenir doenças ocupacionais e realizar uma boa interação entre o ambiente de trabalho, as capacidades físicas e psicológicas do empregado e a eficiência do sistema como um todo.
Os estudos ergonômicos se dividem em categorias como Iluminação, Ruído, Postura e Calor.
A seguir, um breve resumo sobre as condições ideais e nocivas de cada categoria.
A tabela que determina o quão confortável é trabalhar em determinado ambiente de acordo com a temperatura está indicada abaixo.
Alguns ambientes e espaços de trabalho (minas, indústrias de metais etc.) podem possuir temperaturas médias mais altas.
Intervalo de Temperatura | Nível de Desconforto Térmico |
|---|---|
20°C ≤ ICF ≤ 29°C | Confortável |
30°C ≤ ICF ≤ 39°C | Desconfortável |
40°C ≤ ICF ≤ 45°C | Altamente Desconfortável, evite esforço |
Acima de 45°C | Perigoso |
Acima de 54°C | Insolação Iminente |
Os níveis de iluminação devem ser aplicados de acordo com as regras na NBR 5413 dentro da NR-17 para iluminação natural.
Essas regras dependem do cálculo de iluminância, medida de fluxo de luz sobre espaço de 1m² cuja unidade é dada em lux e medida por um luxímetro.
Assim, é recomendado que a iluminância em qualquer ponto do campo de trabalho não fique abaixo de 70% da iluminância média determinada de maneira prévia para aquele espaço. Caso os índices estejam abaixo, é necessário usar iluminação complementar.
A ventilação natural é um complemento às normas de conforto térmico. Em resumo, a umidade relativa do ar não deve ser inferior a 40% e a velocidade do ar não pode ser superior a 0,75m/s.
No caso de galpões, o índice de temperatura efetiva deve ficar entre 20°C e 23°C.
Esses índices ajudam a manter o espaço de trabalho agradável e saudável, evitando cansaço, desidratação e dores de cabeça frequentes.
A NR-17, com referências na NBR 10152, determina que “o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 decibéis (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 decibéis”.
Na tabela abaixo, há um resumo da intensidade versus duração máxima do ruído:

A análise do posto de trabalho é o estudo de uma parte do sistema onde atua um trabalhador. O posto de trabalho é o elo em um sistema homem-máquina-ambiente, pois envolve o homem, o equipamento utilizado e o espaço onde os dois atuam.
Contudo, para que os melhores resultados sejam alcançados, é necessário que os três elementos estejam balanceados. Desenhos ergonômicos que priorizam apenas um dos três pilares irão causar problemas a longo prazo.
O trabalhador moderno deve atuar com ferramentas de trabalho modernas e tecnologias inovadoras, isso exige novos conhecimentos e habilidades pessoais específicas para garantir maior conforto, segurança e produtividade.
Por isso, as fábricas e manufaturas que tiverem interesse em otimizar seus resultados precisam garantir que as ferramentas necessárias para a realização das tarefas tornam a vida do trabalhador mais ágil e eficiente.
É preciso abrir mão do conceito de fábrica e indústria como ambiente perigoso, entulhado e sem planejamento ergonômico, na indústria 4.0 é fundamental que as máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais e o próprio espaço sejam adaptados às características do trabalho e à capacidade do trabalhador.
Dessa forma, é possível reduzir a fadiga, o estresse, esforços repetitivos da musculatura e, consequentemente, aumentar a produtividade e a satisfação da equipe.
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Contudo, de acordo com alguns pesquisadores, a ergonomia só será aceita caso a relação custo-benefício seja positiva economicamente. Por isso, é importante destacar alguns dos resultados diretos do investimento em ergonomia, como:
O pesquisador francês Henri Savall, especialista em ergonomia, também observou que:
Alguns dos pontos a serem observados na hora de um planejamento ergonômico incluem:
*Leia também: *Avaliação de Risco: Complexa, Desafiadora e Absolutamente Necessária
Falar em números ajuda a racionalizar os benefícios da ergonomia, mas é preciso contextualizar isso de maneira mais direta. Como, então, as empresas, em especial as de manufatura, se beneficiam da ergonomia? São três fatores principais:
O Brasil é um país de forte legislação trabalhista, acidentes de trabalho, além de gerarem custos financeiros imediatos, podem levar a processos e indenizações custosas.
Além disso, o tempo de colaborador parado em casa pode gerar mais prejuízos a longo prazo, reduzindo a força de trabalho e diminuindo a qualidade do serviço/operação.
Com o investimento em ergonomia, é possível desenhar processos mais eficientes e produtivos, elevando os lucros da empresa através de um fluxo de trabalho mais fluido e com menos ruído e com a redução de gastos com os problemas citados acima.
Não só isso, mas com melhor qualidade de vida no espaço de trabalho, os colaboradores tendem a produzir mais e melhor, com menos interrupções, o que aumenta a taxa de retenção de emprego dentro das empresas, outra maneira inteligente de se reduzir custos a longo prazo.
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Uma das melhores maneiras de otimizar a ergonomia em fábricas é através da automatização de processos repetitivos e perigosos.
Com o uso de robôs colaborativos, por exemplo, é possível realizar uma implementação rápida de uma tecnologia com pouco impacto no chão de fábrica, quase nenhuma mudança de layout na linha de produção e, diante de avaliação de segurança prévia, sem a necessidade de células de segurança.
Assim, os processos de parafusamento podem ser automatizados, o que libera trabalhadores para funções de maior valor agregado para a fábrica e elimina as chances de LER nos punhos e cotovelos.
O mesmo vale para tarefas de paletização. Os trabalhadores podem ser reempregados no gerenciamento dos robôs colaborativos e em tarefas mais analíticas, somado a isso, também se beneficiam com a redução de problemas nas costas por esforço repetitivo.
A robótica colaborativa também traz outros benefícios, como: maior precisão nas aplicações, redução de downtime e maiores índices de qualidade no produto final. Tudo isso aliado à liberação de trabalhadores para tarefas mais relevantes e ergonômicas.
A NR-12 regula segurança com máquinas e equipamentos (prevenção de acidentes mecânicos). A NR-17 trata especificamente de ergonomia: postura, iluminação, ruído, temperatura e esforço físico. As duas se complementam.
LER e DORT são lesões causadas por movimentos repetitivos e posturas inadequadas. A ergonomia previne essas condições, redesenhando postos de trabalho e, quando necessário, automatizando as tarefas de maior risco.
Não. Iluminação, conforto térmico, ruído e postura são relevantes em qualquer ambiente, fábricas, escritórios, laboratórios ou centros de distribuição. O que muda são os parâmetros e riscos de cada contexto.
Envolve observação das atividades, medição de variáveis ambientais, avaliação de posturas e entrevistas com trabalhadores. O ideal é contar com profissional habilitado, que deve gerar o LTCAT ou PGR conforme a legislação.
Multas administrativas, embargos, aumento do FAP (seguro acidentário no INSS) e ações trabalhistas com indenizações por danos morais e materiais.
Varia por setor e porte, mas os ganhos aparecem rapidamente: queda de afastamentos, redução de manutenção e aumento de produtividade. Empresas que implementam cobots em tarefas repetitivas já registraram payback em menos de um ano.
Sempre que houver mudanças no processo, novo equipamento ou aumento de afastamentos. Como boa prática: revisões anuais ou semestrais, mesmo sem alterações estruturais.