Ergonomia na Indústria: Como reduzir acidentes e aumentar a produtividade

A indústria mundial vem se adaptando a cada dia com novas tecnologias e demandas para melhorar as condições no local de trabalho e operações.

Ergonomia na Indústria
Ergonomia na Indústria

A indústria mundial vem se adaptando a cada dia com novas tecnologias e demandas para melhorar as condições no local de trabalho e operações.

No Brasil, além da NR-12, Norma Regulamentadora de Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, há também a NR-17, Norma Regulamentadora de Ergonomia.

Através da NR-17 temos as diretrizes sobre as possibilidades no chão de fábrica e as condições de operação no dia de trabalho.

Neste artigo, iremos explorar os benefícios do investimento em ergonomia na indústria como um todo. Continue lendo e fique por dentro!

Principais conclusões do artigo:

  • Ergonomia industrial é regulamentada no Brasil pela NR-17, que define parâmetros de temperatura, iluminação, ruído, postura e ventilação no ambiente de trabalho.
  • Investir em ergonomia reduz acidentes, diminui afastamentos e aumenta produtividade. Estudos apontam ganhos de até 36% em produtividade e queda de 50% em retrabalhos.
  • Os três pilares do posto de trabalho (homem, máquina e ambiente) precisam estar equilibrados; priorizar apenas um deles gera problemas a longo prazo.
  • A automação com cobots é uma das formas mais eficazes de melhorar a ergonomia: elimina tarefas repetitivas e perigosas sem exigir mudanças radicais no layout da fábrica.
  • Empresas que ignoram a ergonomia enfrentam custos ocultos elevados: processos trabalhistas, aumento do FAP junto ao INSS e perda de força de trabalho qualificada.

O que é ergonomia?

Ergonomia é o estudo da organização do ambiente de trabalho e das interações entre o homem e as máquinas ou equipamentos.

O objetivo dessa análise é trazer conforto ao trabalhador, prevenir doenças ocupacionais e realizar uma boa interação entre o ambiente de trabalho, as capacidades físicas e psicológicas do empregado e a eficiência do sistema como um todo.

Os estudos ergonômicos se dividem em categorias como Iluminação, Ruído, Postura e Calor.

A seguir, um breve resumo sobre as condições ideais e nocivas de cada categoria.

Conforto térmico

A tabela que determina o quão confortável é trabalhar em determinado ambiente de acordo com a temperatura está indicada abaixo.

Alguns ambientes e espaços de trabalho (minas, indústrias de metais etc.) podem possuir temperaturas médias mais altas.

Intervalo de Temperatura

Nível de Desconforto Térmico

20°C ≤ ICF ≤ 29°C

Confortável

30°C ≤ ICF ≤ 39°C

Desconfortável

40°C ≤ ICF ≤ 45°C

Altamente Desconfortável, evite esforço

Acima de 45°C

Perigoso

Acima de 54°C

Insolação Iminente

Iluminação natural

Os níveis de iluminação devem ser aplicados de acordo com as regras na NBR 5413 dentro da NR-17 para iluminação natural.

Essas regras dependem do cálculo de iluminância, medida de fluxo de luz sobre espaço de 1m² cuja unidade é dada em lux e medida por um luxímetro.

Assim, é recomendado que a iluminância em qualquer ponto do campo de trabalho não fique abaixo de 70% da iluminância média determinada de maneira prévia para aquele espaço. Caso os índices estejam abaixo, é necessário usar iluminação complementar.

Ventilação natural

A ventilação natural é um complemento às normas de conforto térmico. Em resumo, a umidade relativa do ar não deve ser inferior a 40% e a velocidade do ar não pode ser superior a 0,75m/s.

No caso de galpões, o índice de temperatura efetiva deve ficar entre 20°C e 23°C.

Esses índices ajudam a manter o espaço de trabalho agradável e saudável, evitando cansaço, desidratação e dores de cabeça frequentes.

Níveis de ruído

A NR-17, com referências na NBR 10152, determina que “o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 decibéis (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 decibéis”.

Na tabela abaixo, há um resumo da intensidade versus duração máxima do ruído:

tabela de intensidade

Ergonomia em fábricas: Desafios e oportunidades

A análise do posto de trabalho é o estudo de uma parte do sistema onde atua um trabalhador. O posto de trabalho é o elo em um sistema homem-máquina-ambiente, pois envolve o homem, o equipamento utilizado e o espaço onde os dois atuam.

Contudo, para que os melhores resultados sejam alcançados, é necessário que os três elementos estejam balanceados. Desenhos ergonômicos que priorizam apenas um dos três pilares irão causar problemas a longo prazo.

O trabalhador moderno deve atuar com ferramentas de trabalho modernas e tecnologias inovadoras, isso exige novos conhecimentos e habilidades pessoais específicas para garantir maior conforto, segurança e produtividade.

Por isso, as fábricas e manufaturas que tiverem interesse em otimizar seus resultados precisam garantir que as ferramentas necessárias para a realização das tarefas tornam a vida do trabalhador mais ágil e eficiente.

É preciso abrir mão do conceito de fábrica e indústria como ambiente perigoso, entulhado e sem planejamento ergonômico, na indústria 4.0 é fundamental que as máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais e o próprio espaço sejam adaptados às características do trabalho e à capacidade do trabalhador.

Dessa forma, é possível reduzir a fadiga, o estresse, esforços repetitivos da musculatura e, consequentemente, aumentar a produtividade e a satisfação da equipe.

*- Leia também: *Tipos de automação industrial: descubra quais são e confira exemplos

Benefícios da ergonomia

Contudo, de acordo com alguns pesquisadores, a ergonomia só será aceita caso a relação custo-benefício seja positiva economicamente. Por isso, é importante destacar alguns dos resultados diretos do investimento em ergonomia, como:

  • Alguns estudos mostram aumento da produtividade em 10% nos casos em que houve conscientização dos trabalhadores;
  • No mesmo estudo, mostrou-se que a aplicação de ergonomia gerou economia de 25% em manutenção e aumento de 36% na produtividade em empresas do setor alimentício.

O pesquisador francês Henri Savall, especialista em ergonomia, também observou que:

  • Houve redução de 3% nas faltas em postos de trabalho com investimento em ergonomia;
  • Diminuição de matéria-prima e produtos não conformes em 25%;
  • 95% dos pedidos de clientes foram entregues dentro do prazo estipulado;
  • Queda no número de acidentes;
  • Melhoria na qualidade dos produtos;
  • Algumas empresas observaram queda de 50% nos retrabalhos;
  • Retenção da força de trabalho dentro da empresa com menor número de saídas.

Aplicações práticas de ergonomia nas manufaturas

Alguns dos pontos a serem observados na hora de um planejamento ergonômico incluem:

  • Posição do trabalhador durante as horas de serviço (em pé, sentado) e a interação com o meio (se está sentado, qual o tipo de cadeira, qual a posição, para onde olha, quanto tempo fica na mesma posição etc.);
  • Espaço ao redor do trabalhador (presença de máquinas ou equipamentos muito próximos, tamanho do confinamento e espaço para movimentação voluntária etc.);
  • Condições de temperatura, pressão, incidência de luz solar e ventilação;
  • Movimentação realizada no trabalho (presença de movimentos repetitivos ou de grande esforço etc.);
  • Contato com superfícies abrasivas ou elementos nocivos e tóxicos;
  • Precisão exigida para a tarefa;
  • Ferramentas utilizadas.

*Leia também: *Avaliação de Risco: Complexa, Desafiadora e Absolutamente Necessária

Benefícios do investimento em ergonomia

Falar em números ajuda a racionalizar os benefícios da ergonomia, mas é preciso contextualizar isso de maneira mais direta. Como, então, as empresas, em especial as de manufatura, se beneficiam da ergonomia? São três fatores principais:

  1. Previne Doenças Ocupacionais
  2. Aumenta a produtividade
  3. Melhora a qualidade de vida dos colaboradores

O Brasil é um país de forte legislação trabalhista, acidentes de trabalho, além de gerarem custos financeiros imediatos, podem levar a processos e indenizações custosas.

Além disso, o tempo de colaborador parado em casa pode gerar mais prejuízos a longo prazo, reduzindo a força de trabalho e diminuindo a qualidade do serviço/operação.

Com o investimento em ergonomia, é possível desenhar processos mais eficientes e produtivos, elevando os lucros da empresa através de um fluxo de trabalho mais fluido e com menos ruído e com a redução de gastos com os problemas citados acima.

Não só isso, mas com melhor qualidade de vida no espaço de trabalho, os colaboradores tendem a produzir mais e melhor, com menos interrupções, o que aumenta a taxa de retenção de emprego dentro das empresas, outra maneira inteligente de se reduzir custos a longo prazo.

Leia também:* Automatização de atividades e operações perigosas: por que os cobots são a melhor opção?*

Como melhorar a ergonomia em fábricas

Uma das melhores maneiras de otimizar a ergonomia em fábricas é através da automatização de processos repetitivos e perigosos.

Com o uso de robôs colaborativos, por exemplo, é possível realizar uma implementação rápida de uma tecnologia com pouco impacto no chão de fábrica, quase nenhuma mudança de layout na linha de produção e, diante de avaliação de segurança prévia, sem a necessidade de células de segurança.

Assim, os processos de parafusamento podem ser automatizados, o que libera trabalhadores para funções de maior valor agregado para a fábrica e elimina as chances de LER nos punhos e cotovelos.

O mesmo vale para tarefas de paletização. Os trabalhadores podem ser reempregados no gerenciamento dos robôs colaborativos e em tarefas mais analíticas, somado a isso, também se beneficiam com a redução de problemas nas costas por esforço repetitivo.

A robótica colaborativa também traz outros benefícios, como: maior precisão nas aplicações, redução de downtime e maiores índices de qualidade no produto final. Tudo isso aliado à liberação de trabalhadores para tarefas mais relevantes e ergonômicas.

FAQ sobre ergonomia na indústria

Qual a diferença entre a NR-17 e a NR-12?

A NR-12 regula segurança com máquinas e equipamentos (prevenção de acidentes mecânicos). A NR-17 trata especificamente de ergonomia: postura, iluminação, ruído, temperatura e esforço físico. As duas se complementam.

O que são LER e DORT e como a ergonomia ajuda a evitá-los?

LER e DORT são lesões causadas por movimentos repetitivos e posturas inadequadas. A ergonomia previne essas condições, redesenhando postos de trabalho e, quando necessário, automatizando as tarefas de maior risco.

A ergonomia se aplica só a trabalhos manuais?

Não. Iluminação, conforto térmico, ruído e postura são relevantes em qualquer ambiente, fábricas, escritórios, laboratórios ou centros de distribuição. O que muda são os parâmetros e riscos de cada contexto.

Como realizar uma análise ergonômica do posto de trabalho?

Envolve observação das atividades, medição de variáveis ambientais, avaliação de posturas e entrevistas com trabalhadores. O ideal é contar com profissional habilitado, que deve gerar o LTCAT ou PGR conforme a legislação.

Quais são os riscos legais para empresas que ignoram a NR-17?

Multas administrativas, embargos, aumento do FAP (seguro acidentário no INSS) e ações trabalhistas com indenizações por danos morais e materiais.

Qual o tempo médio de retorno sobre o investimento em ergonomia?

Varia por setor e porte, mas os ganhos aparecem rapidamente: queda de afastamentos, redução de manutenção e aumento de produtividade. Empresas que implementam cobots em tarefas repetitivas já registraram payback em menos de um ano.

Com que frequência as avaliações ergonômicas devem ser revisadas?

Sempre que houver mudanças no processo, novo equipamento ou aumento de afastamentos. Como boa prática: revisões anuais ou semestrais, mesmo sem alterações estruturais.