Educação técnica com cobots: Apoiando a indústria e construindo o futuro

Você já deve ter percebido que os robôs estão rapidamente se inserindo como parte importante da vida cotidiana. Isso se aplica especialmente quando se trata de manufatura, e as possibilidades comerciais dessas novas tecnologias são enormes.

Educação técnica com cobots
Educação técnica com cobots

Você já deve ter percebido que os robôs estão rapidamente se inserindo como parte importante da vida cotidiana. Isso se aplica especialmente quando se trata de manufatura, e as possibilidades comerciais dessas novas tecnologias são enormes. Hoje, os robôs colaborativos nos ajudam em tarefas que há 20 anos deixariam muitos impressionados. Consegue imaginar onde estaremos daqui a 20 anos?

Para aproveitar esse potencial e colher todos os benefícios sociais da automação e da robótica, os trabalhadores de hoje e os futuros empregados terão que desenvolver novas habilidades digitais.

Ao embarcar nessa jornada, empresas, governos e educadores têm de fazer quatro perguntas relevantes.

  • Quais as habilidades que serão esperadas no mercado de trabalho?
  • Como as empresas podem aprimorar as competências (upskill) dos empregados que possui?
  • Como os provedores da indústria e da educação podem garantir que novos empregados estejam prontos para a tecnologia no local de trabalho?
  • E como podemos inspirar os engenheiros do futuro a impulsionar o desenvolvimento tecnológico de maneiras que ainda não conseguimos imaginar?

Obviamente, ainda não temos respostas definitivas para essas perguntas, e as respostas também podem mudar à medida que a tecnologia e a sociedade evoluem. Mas uma coisa é certa: quem não agir, vai acabar ficando para trás.

As necessidades da indústria

Após a mecanização (indústria 1.0), produção em massa (indústria 2.0) e automação (indústria 3.0), estamos agora em plena quarta revolução industrial, conhecida como indústria 4.0, com o surgimento da Internet Industrial das Coisas e da comunicação máquina-a-máquina. Uma produção mais eficiente e personalizada está criando enormes oportunidades de crescimento e vantagens competitivas para as empresas que se adaptarem às mudanças.

Segundo o relatório World Robotics 2025 da Federação Internacional de Robótica (IFR), em 2024 foram instalados 542.000 robôs industriais em fábricas ao redor do mundo, mais que o dobro do registrado há apenas dez anos. O estoque global operacional de robôs industriais atingiu 4,664 milhões de unidades, um aumento de 9% em relação ao ano anterior (IFR, 2025).

Cerca de 4,664 milhões de robôs industriais já estão inseridos em fábricas ao redor do mundo, e esses robôs desempenham um papel fundamental na aceleração da produção. A capacidade física e cognitiva das máquinas continuará a impactar as práticas de trabalho. A previsão da IFR é de que as instalações globais cresçam a uma taxa média anual de 7% até 2028, com projeção de mais de 700.000 novas unidades por ano.

Novas oportunidades de trabalho

Através da introdução de robôs no setor de manufatura, novas oportunidades de trabalho surgirão, como Gerente de Fábrica Inteligente, Coordenador de Equipe de Robôs ou Depurador de Robôs.

A indústria está se voltando para a automação por uma série de motivos sociais. Em especial, muitos países enfrentam escassez de mão de obra em certos setores, incluindo manufatura. A força de trabalho envelhecendo está deixando funções e cargos vagos. Segundo o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial, 77% dos empregadores globais planejam requalificar sua força de trabalho em resposta às transformações tecnológicas, e 170 milhões de novos empregos serão criados até 2030, ao mesmo tempo em que 92 milhões de funções atuais serão deslocadas ou redesenhadas (WEF, 2025).

Cenário da automação robótica na América Latina

No Brasil, a adoção de robótica ainda enfrenta barreiras importantes. Enquanto o México instalou 5.600 unidades de robôs industriais em 2024 (com o setor automotivo respondendo por 63% das instalações), o Brasil registra índices de automação bem abaixo do potencial da sua base industrial. Empresas como Embraer, Natura e Volkswagen já aplicam soluções robóticas no país, mas especialistas alertam que a escassez de talentos qualificados e os altos custos tributários seguem como obstáculos centrais (IFR, 2025; SmarterFeed, 2025).

A automação pode complementar a mão de obra humana ajudando a criar empregos melhores e mais seguros para atrair e reter trabalhadores.

Apesar dos grandes avanços técnicos e da crescente automação, os seres humanos continuam sendo fundamentais quando se trata de produção. De fato, espera-se que o futuro da indústria (indústria 5.0) seja mais centrado no ser humano do que antes. As empresas precisarão saber bem onde colocar seus empregados e garantir que eles estejam prontos para trabalhar lado a lado com a tecnologia.

Em 2024, o mercado global de robótica movimentou cerca de US$ 94,5 bilhões. A estimativa do Fórum Econômico Mundial é de que, até 2030, 39% das competências essenciais dos trabalhadores precisarão ser renovadas, e 63% dos empregadores já identificam a lacuna de habilidades como a principal barreira à transformação dos negócios (WEF, Future of Jobs Report 2025).

Leia também: Repensando a relação homem x máquina.

Competências profissionais do futuro

A produção do futuro 'centrada no ser humano' usará a automação para muitas tarefas repetitivas e perigosas. As pessoas ocuparão funções onde serão insubstituíveis. Habilidades e competências sociais, como resolução de problemas, pensamento crítico, habilidades de comunicação e competências interculturais serão esperados delas.

As empresas também esperam que os funcionários demonstrem senso de responsabilidade, trabalhem bem em equipe e estejam dispostos a aprender continuamente.

Com as mudanças tecnológicas, a demanda por trabalhadores qualificados aumenta cada vez mais. A maioria dos trabalhadores precisará saber utilizar e trabalhar lado a lado com sistemas digitais, inteligência artificial ou robôs. É provável que, para muitos, sejam necessárias habilidades tecnológicas específicas, um vasto conhecimento do assunto e competência tecnológica.

É claro que as habilidades exigidas continuarão a depender da indústria e de cada função. Na fabricação, um operador pode precisar trabalhar ao lado de um robô, somente iniciando e interrompendo um programa ou monitorando o desempenho, enquanto outro colega pode precisar projetar e integrar sistemas ou trabalhar com a reprogramação.

De acordo com projeções divulgadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), até 2030, cerca de 90% das profissões exigirão algum nível de competência digital, e trabalhadores com essas habilidades terão 17% a mais de chances de serem contratados do que aqueles sem elas.

- Leia também: Robótica para crianças: por que é importante que crianças aprendam sobre a área?

Cenário na América Latina

Na América Latina, esse desafio é ainda mais urgente. No Brasil, no quarto trimestre de 2024, a taxa de desemprego atingiu seu menor nível em uma década, o que paradoxalmente intensifica a escassez de mão de obra qualificada para o setor industrial, um cenário que pressiona as empresas a investir em automação e, ao mesmo tempo, em capacitação (IBGE/PNAD Contínua, 2024).

No México, onde 63% dos robôs instalados em 2024 serviram ao setor automotivo, a demanda por profissionais habilitados a operar e programar cobots só cresce, impulsionada pelas cadeias globais de fornecimento.

Upskilling (reciclagens) da mão de obra

Como a transformação digital é contínua, é indispensável que se esteja disposto a se manter atualizado após concluir a educação formal.

O Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial, baseado em dados de mais de 1.000 grandes empregadores globais representando mais de 14 milhões de trabalhadores, aponta que 39% das competências essenciais dos trabalhadores precisarão mudar até 2030. Esse número, embora ainda expressivo, caiu em relação aos 44% estimados em 2023, reflexo direto do avanço dos programas de upskilling e reskilling nas organizações.

Para preparar trabalhadores qualificados para as demandas de um ambiente digitalizado, o treinamento dentro das empresas é fundamental. A indústria e os empregadores já estão trabalhando juntos para enfrentar o desafio do reskilling. Por exemplo, para apoiar os empregadores, fornecedores de robôs como a ABB já destacam que os avanços em inteligência artificial estão tornando a programação de robôs mais acessível (por meio de linguagem natural), o que amplia o alcance da educação tecnológica para além dos especialistas tradicionais (ABB, 2024).

De acordo com o mesmo relatório do WEF, 85% dos empregadores pretendem requalificar sua força de trabalho em resposta às crescentes lacunas de competências, com metade das empresas planejando também migrar colaboradores para funções em crescimento. A aprendizagem digital ganha espaço central nesse processo: em 2024, mais de 90% das empresas que treinavam ativamente seus funcionários utilizaram mídia de aprendizagem digital, frente a 84% em 2016.

Embora a aprendizagem deva continuar e continue acontecendo no local de trabalho, com a certeza de um futuro digital vem a necessidade de educação em habilidades digitais e robótica começar na escola e continuar na faculdade e universidade.

No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já prevê o desenvolvimento do pensamento computacional desde o ensino básico, e iniciativas de robótica educacional vêm sendo incorporadas a currículos de escolas públicas e privadas de Norte a Sul do país.

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Educação técnica com cobots

Educação digital para a mão de obra do futuro

Os governos estão abraçando a transformação tecnológica. No entanto, aprimorar as competências dos trabalhadores e treiná-los é fundamental para o sucesso. Vários programas são necessários para o futuro e devem começar na escola primária e secundária para despertar o interesse dos jovens em ciência e tecnologias de automação.

Ao garantir o acesso público e gratuito a recursos verdadeiramente de ponta, governos e provedores de educação podem dar aos futuros trabalhadores as habilidades e a familiarização com robótica e sistemas autônomos que todos os países precisam.

De modo geral, as crianças estão sendo expostas a ferramentas digitais e brinquedos robóticos desde muito cedo, mas, apesar do acesso precoce à tecnologia, a educação digital é insuficiente em muitos países para desenvolver as habilidades necessárias para o futuro. A Federação Internacional de Robótica alertou para o fato de que as indústrias e os países que não adotarem essas mudanças ficarão em desvantagem competitiva.

No contexto da América Latina, o desafio é duplo: além de modernizar os currículos, é preciso democratizar o acesso a equipamentos e formação técnica de qualidade.

No Brasil, revisões de literatura realizadas nos últimos anos mostram que a robótica educacional tem potencial para integrar diferentes componentes curriculares e favorecer abordagens interdisciplinares, conectando ciências, matemática e tecnologia a problemas reais do cotidiano.

No México, a forte presença da indústria automotiva e de manufatura avançada cria uma demanda imediata por técnicos e engenheiros capacitados em automação, ainda pouco atendida pelo sistema de ensino formal.

Segundo dados da OCDE, trabalhadores com competências digitais têm 17% a mais de chances de serem contratados. Já o Fórum Econômico Mundial projeta que, ao longo desta década, 58% dos empregadores identificarão robótica e automação como forças transformadoras centrais para seus modelos de negócio.
Em 2024, 64.542 cobots foram instalados globalmente, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior, elevando sua participação no total de robôs instalados de 10,6% para 11,9% (IFR, World Robotics 2025). Para o Brasil e o México, os cobots representam uma porta de entrada estratégica para a automação: mais acessíveis, mais fáceis de programar e adequados tanto para grandes indústrias quanto para pequenas e médias empresas.

Nosso papel na qualificação da força de trabalho atual

A automação é o futuro. A Universal Robots está usando seus principais recursos de treinamento e infraestrutura a fim de ajudar a desenvolver conhecimentos e habilidades de robótica para uma nova geração de engenheiros, operadores e fãs de robótica.

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A Universal Robots desenvolveu um pacote educacional para escolas, faculdades e universidades. Veja o que você alcança com nosso Kit Educacional:

  • Conte com um cobot (robô industrial colaborativo) real em sala para que os alunos desenvolvam as primeiras aplicações junto de sua supervisão.

  • Receba o último software de programação e simulação para que os estudantes enfrentem casos e problemas reais e sejam introduzidos à programação de cobots.

  • Pode guiar os alunos nos primeiros projetos de visão artificial e impressão 3D com braços robóticos.

  • Fará parte da comunidade educativa da Universal Robots

  • Receberá material didático elaborado pela UR para reforçar o ensino

  • Receberá treinamento da Universal Robots para que se mantenha em dia com as últimas novidades do ecossistema de robótica colaborativa.

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FAQ Educação técnica com cobots

Qual é a diferença entre um cobot e um robô industrial tradicional?

Robôs industriais tradicionais são fixos, cercados por grades de segurança e operam sem interação humana. Cobots são compactos, móveis, fáceis de reprogramar e projetados para trabalhar ao lado de pessoas com segurança.

Uma PME consegue adotar cobots?

Sim. A flexibilidade, o tamanho compacto e a facilidade de programação foram pensados exatamente para esse perfil. O principal gargalo costuma ser a falta de pessoal qualificado, não o equipamento em si.

Quais são os principais obstáculos para adoção de cobots no Brasil?

Carga tributária elevada na importação de equipamentos, escassez de técnicos qualificados, baixa cultura de automação nas PMEs e acesso limitado a linhas de crédito para inovação industrial.

A partir de que idade é possível aprender robótica?

Desde a educação infantil, com kits adaptados à faixa etária. Pesquisas de 2024 publicadas no periódico Heliyon mostram melhora no pensamento computacional e raciocínio lógico em crianças que tiveram contato com robótica no ensino fundamental.

Que tipo de certificação um profissional de cobótica pode obter?

A Universal Robots oferece certificações para operadores, programadores e instrutores via UR Academy, reconhecidas pela indústria. Há também cursos técnicos e de graduação em mecatrônica e automação no Brasil e no México.

Professores sem formação em engenharia conseguem ensinar robótica colaborativa?

Sim. Programas como o da Universal Robots incluem capacitação docente de quatro dias, ao final da qual o professor recebe certificação para ensinar e certificar seus próprios alunos.

Quais carreiras têm maior crescimento ligadas à robótica?

Operador e programador de cobots, integrador de sistemas robóticos, técnico em manutenção de robôs industriais ("Robotista"), engenheiro de automação e gerente de fábrica inteligente.